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A redação empresarial, por décadas, baseou-se muito na crença de que a qualidade do texto dependia, primordialmente, da dificuldade de entendê-lo. E não é só o Calvin, na tirinha acima, que acredita nisso. Lembra-se de que os eleitores apreciavam os discursos empolados dos candidatos? Uma das consequências dessa valorização do que é incompreensível é a existência de muita verbosidade nos textos.
Para entender o que significa verbosidade, observe o exemplo abaixo, que representa a herança, ainda existente em inúmeros textos, da antiga redação empresarial:
Primeiramente, há passagens do texto com um tom excessivamente respeitoso e formal. São exemplos disso o início e o final do texto.
Em resposta à sua gentil solicitação enviada pelo digníssimo representante de V. Sas.
Sem mais que se nos possa acrescentar para o momento, despedimo-nos e deixamo-nos à disposição para o que for necessário
Embora pareçam muito polidas, essas passagens distanciam o leitor do emissor da mensagem, tornando-a cansativa, rebuscada e ineficaz.
Há, também, termos e expressões considerados chavões e que devem ser evitados. São chavões os seguintes termos do exemplo dado:
Palavras como “encontram” e “sofrer”, embora não sejam consideradas chavões, têm sido amplamente utilizadas de forma inadequada.
A construção “se encontram à sua disposição nossos estúdios” pode ser substituída por “estão à sua disposição nossos estúdios”. Os estúdios não encontram nada, quem encontra são as pessoas.
Já “o custo total pelo uso do estúdio e dos equipamentos sofrerá um desconto de 10%” torna-se adequada da seguinte maneira: “o custo total pelo uso do estúdio e dos equipamentos terá um desconto de 10%”. Na verdade, quem sofre são as pessoas, e não as coisas, os objetos, as ações.
Note que nesses dois casos, houve uma troca das palavras inadequadas por verbos corriqueiros em nosso vocabulário (estar, ter). Mas, de tão presentes no cotidiano informal, as pessoas julgam que eles não são adequados para situações de escrita formal. Puro engano.
Verbosidade, portanto, é o rebuscar um texto, torná-lo difícil, pouco claro, quase inacessível ao leitor. Ao invés de comunicar, complica, não esclarece, por meio de um tom pretensamente culto.
Os textos com muita verbosidade não são concisos, uma das principais atribuições de uma mensagem eficaz. Lembre-se sempre: comunicar é “dizer” muito em poucas palavras.
O texto abaixo é uma versão adequada aos novos padrões da redação empresarial moderna, sem verbosidades, bastante concisa e clara.
Note a clareza das ideias, o vocabulário adequado, acessível e, ao mesmo tempo formal, sem um tom pretensamente culto, típico da verbosidade.
A partir desse exemplo reescrito, fica evidente que a redação empresarial moderna prega a produção de textos claros, compreensíveis. Por isso, negue a herança da redação empresarial antiga. Concisão e clareza são as chaves para o sucesso na escrita moderna.
Vívian Cristina Rio |