Escrever Bem

gutemberg.gifNo ano 2000, como marco da mudança de milênio, foram realizadas inúmeras eleições: a melhor música, a personalidade, o grande acontecimento dos últimos mil anos. Dentre tantas, uma eleição merece destaque: o homem do milênio. O eleito foi Johann Gutenberg, pela invenção dos caracteres móveis que garantiram a disseminação da tipografia e da indústria do livro, a partir de 1450.


Gutenberg teve, por volta da metade do século XV, a ideia de esculpir as letras do alfabeto em relevo, bem enquadradas na cabeça de vários bastões de metal. Em outras palavras, formou caracteres em várias séries, de forma que se pudesse compor, segundo a necessidade, uma página de livro. Os caracteres eram reunidos de modo que formassem linhas, que eram, por sua vez, contidas em uma moldura retangular. Contra a página de metal assim composta e coberta de tinta, comprimia-se a página branca, com o auxílio de uma prensa. Depois disso, bastava fazer a revisão da primeira folha impressa e corrigir os erros eventuais mudando a disposição dos caracteres e reimprimir para obter o número desejado de cópias, todas idênticas e sem erros. Terminada a cópia daquelas páginas, os caracteres, retirados da moldura, estavam prontos para serem reutilizados. Assim foi inventada a impressão com "caracteres móveis".

 

A introdução dos caracteres móveis marcou uma revolução semelhante a que a informática vem provocando em nossos dias. Para se ter uma idéia, em dez anos, foram impressos em Roma cerca de 160 mil volumes - livros para todos, ricos e pobres. Até então, o texto escrito era um privilégio para poucos, afinal, o volume era escasso e a reprodução dos livros era feita a mão.

 

Assim, graças à invenção de Gutenberg, foi possível a produção rápida de um grande número de cópias de livros, relativamente pouco custosas e que, ao mesmo tempo, aumentavam a sua circulação, fatores que contribuíram muito para o grande florescimento da cultura do Renascimento na Europa.

 

Tamanha contribuição à história e à formação/ circulação do conhecimento da humanidade não poderia deixar de ser premiada. E nada mais justo do que eleger seu inventor o “homem do milênio”.

 

 

Para saber mais:

  •  Man, John. A revolução de Gutenberg. Editora Ediouro.
  • Frugoni, Chiara. Invenções da Idade Média: óculos, livros, bancos, botões e outras invenções geniais. Jorge Zahar Editora.
  • Zilberman, Regina. A formação da leitura no Brasil. Editora Ática.

 

Vivian Cristina Rio


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